Review | Resident Evil Requiem
Resident Evil sempre foi uma das franquias que eu mais gosto. Passei muitas noites viradas jogando os primeiros títulos com primos e tios. Já os remakes dos meus preferidos, Resident Evil 2 e Resident Evil 3, foram facilmente alguns dos melhores jogos que joguei nos últimos anos.
Outras entradas não me pegaram tanto, mas quando a Capcom anunciou Resident Evil Requiem, essa chama reacendeu e as expectativas voltaram a ser altas com a proposta de muitas coisas retornarem à jogabilidade da franquia. E posso dizer que o nono título supriu e superou essas expectativas, ainda mais quando se apresenta perfeito e fluído no portátil da Nintendo.
O tão aguardado RE9 conta a história de Grace Ashcroft, uma investigadora do FBI que é colocada para investigar mortes suspeitas em um hotel abandonado, o mesmo onde sua mãe morreu anos atrás. A mãe dela é Alyssa Ashcroft, jornalista sobrevivente do desastre de Raccoon City de 1998 e protagonista do jogo Resident Evil: Outbreak de 2003. Ao chegar ao hotel, Grace encontra evidências daquele que a estava perseguindo há anos, Victor Gideon, ex-cientista da Umbrella Corporation, que sequestra a garota.
Enquanto isso, o agente da DSO Leon S. Kennedy também está investigando a série de mortes. Ele e uma outra conhecida que o ajuda via comunicação também são sobreviventes do desastre de Raccoon City e estão sendo afetados pela infecção tardia do Vírus T. Leon recebe ordens para investigar o Hotel Wrenwood e chega a tempo de ver Gideon sequestrando Grace. Esse é o pontapé inicial da nossa história. E é aqui também que uma dinâmica incrível é apresentada nesse jogo.
Você tem duas perspectivas e timelines para seguir na história. Uma com Grace e uma com Leon. A indicação da Capcom é jogar em primeira pessoa com Grace e em terceira pessoa com Leon, dois estilos que a franquia já explorou em diferentes momentos. Essa combinação funciona extremamente bem e cria uma experiência muito mais dinâmica. Grace traz uma jogabilidade mais stealth, mais amedrontador, tenso, menos recursos, pouca vida, enquanto Leon traz ação, armas, explosivos, muitos ataques variados e modos de matar os diversos zumbis que aparecem no seu caminho.
Resident Evil Requiem apresenta um pouco de cada tipo de gameplay que conquistou fãs ao longo da franquia.
Há quem prefira a tensão da escassez de recursos e o terror mais puro. Outros adoram a ação com tiros, explosões e confrontos intensos. Aqui, o jogo entrega um pouco de cada estilo, e faz isso com bastante equilíbrio. Sem se cansar você alterna entre as histórias que se unem em momentos definidos e bem naturalmente. É como se os fãs da parte horror survivor de Resident Evil se juntassem com a parte dos fãs que adoram o toque de ação que a franquia ganhou há alguns anos para produzirem o jogo ideal, que unisse e agradasse a todo tipo de fã.
O jogo tem bastante exploração, diversos documentos escondidos para encontrar além de muitos inimigos cheios de personalidade, chefões e até uma sessão sobre rodas. Com a Grace você consegue melhorar sua vida e poder com exames em sangues infectados, criação de certas substâncias, encontrando itens e com moedas para abrir armários exclusivos. Com Leon você também pode trocar créditos (que acha pelo jogo, ou ganha ao derrotar inimigos) por melhorias em armas, munição, vida, novas armas. E além disso também há certos chaveiros escondidos pelo jogo, muitos bastante nostálgicos que também aumentam e melhoram coisas como mira, balas e etc.
O jogo traz cenários novos com aquela mesma vibe incrível que fez muito a gente se apaixonar pela franquia. Quebra-cabeças, portas secretas, códigos, chaves, ir e voltar dentro de uma construção misteriosa, encarando ou não zumbis e outros monstros terríveis e estranhos. O jogo também adiciona uma forte dose de nostalgia ao levar os protagonistas de volta a Raccoon City. É lá que revisitamos a RPD, o local onde o pesadelo de Leon começou em seu fatídico primeiro dia de trabalho em 1998.
Rever a RPD, agora totalmente destruída, é um aperto quente no coração para quem amou jogar os originais e os remakes, além de muitos easter-eggs e fan-service. Mas não só isso, mostra uma dimensão nova da cidade após o míssil atingir o local e todos os anos se passarem. Incluir essa localidade e também o orfanato por exemplo, foi um acerto incrível do time da desenvolvedora e merece seu carinho especial ao demonstrar o cuidado que eles tiveram em fazer jus aos jogos antigos, a lore da franquia e a história desses personagens.
E mesmo tendo tamanha bagagem de história, modos de gameplay e jogo surpreendeu ao rodar praticamente perfeito no Nintendo Switch 2, que foi a versão que eu joguei. Claro, a qualidade gráfica não se compara aos consoles mais poderosos da geração, como PS5 e Xbox Series X. Ainda assim, a versão do Switch 2 bate de frente com a de Xbox Series S e não deixa a desejar. Apresenta um jogo fluído, com mais quedas de desempenhos visíveis no modo portátil, mas que nada atrapalhe a jogabilidade, e realmente bonito e bem trabalhado. Nada de olhos esbugalhados ou nada assim.
Um ponto bastante comentado pela comunidade é a duração relativamente curta do jogo. Eu terminei a campanha em menos de 15 horas. Isso, somado ao preço cheio, pode afastar alguns jogadores. Ainda assim, quando a gameplay e a narrativa são tão bem polidas, não há necessidade de “encher linguiça” apenas para aumentar artificialmente o tempo de jogo.
No meu caso, terminei a campanha com vontade imediata de jogar novamente. Existem desafios diferentes, como completar o jogo sem craftar itens ou terminar a campanha em menos de quatro horas. Essa replayabilidade acaba compensando a duração menor e não se apoia em horas intermináveis de missões secundárias repetitivas o que para muitos, vale muito mais a pena na carteira do que apenas o tempo para fechar aquele game.
Ao unir horror clássico e ação moderna, Resident Evil Requiem encontra um equilíbrio que a série buscava há anos. O nono game da franquia (da linha oficial, sem contar spin offs) já chega ocupando o pódio dos melhores jogos da franquia, aliando os dois gêneros de jogos que até então brigavam por destaque em outros títulos e aqui dividem o holofote com maestria. Traz uma gameplay interessante, renovada e nostálgica, personagens bem construídos, o melhor dos quebra-cabeças da franquia, replayabilidade e muita, muita personalidade. Mesmo com pequenos percalços, também entrega qualidade fina no portátil da Nintendo e se torna um must-play e must-replay para todo fã de Resident Evil e todo fã de jogo bom!
[Nota do Editor: Resident Evil Requiem foi analisado a partir da sua versão para Nintendo Switch 2.]
