A revista Scientific American publicou um estudo que concluiu que o fato de um personagem ser LGBTQ+ pode fazer com que ele seja menos escolhido para jogar. Mas as análises vão além dessa superficialidade já que diversos fatores devem ser levados em consideração.

A revista analisou o caso do personagem Soldier: 76, de Overwatch – que acaba de ganhar sua sequência Overwatch 2 em diversas plataformas – da Blizzard. Overwatch é um jogo multiplayer online em que cada personagem tem suas habilidades e vantagens determinadas e diferentes, Soldier: 76 é um homem que em determinada peça da história do personagem foi revelado ter um romance com outro homem.

Os pesquisadores analisaram a taxa de escolha do personagem antes e depois da revelação, e perceberam que esta caiu muito após ele ter se assumido LGBTQ+. Curiosamente, em vez de escolher Soldier: 76, vários jogadores escolheram a única outra personagem LGBTQ+ no jogo: uma lésbica chamada Tracer. Embora Soldier: 76 já havia sido assumido pela maioria como hetero, Tracer era abertamente gay desde que o jogo foi publicado, o que provavelmente já conta como um fator de escolha além de ela também ser mulher.

Para entender o que estava acontecendo, os pesquisadores usaram um questionário online para perguntar aos jogadores o que eles pensavam sobre o anúncio e como isso influenciou sua experiência de jogo. Centenas de jogadores responderam. A maioria dos entrevistados eram homens (83,77%) e da América do Norte (49,4%) e Europa (39,5%).

A maioria já tinha ouvido falar de Soldier: 76 ser gay, mas não se importava. Eles relataram que mudar a sexualidade de um personagem não teve influência no jogo. Uma grande minoria, no entanto, sentiu-se desconfortável e que outros jogadores os discriminaram quando jogaram como Soldier: 76 após o anúncio. Eles se cansaram de insultos homofóbicos e assédio constante e mudaram temporariamente para outros personagens para evitá-los.

O que mostra que o problema não está em o personagem ser ou não LGBTQ+, mas nas comunidades de jogos, principalmente online, que ainda tem muita discriminação e preconceito contra tais representações. O que torna cada vez mais importante não só manter essa representatividade dentro dos jogos, mas também manter um ambiente seguro fora deles.

Detectar a discriminação é importante e esclarece um problema. O próximo passo, no entanto, é encontrar uma maneira de diminuir essa discriminação.

Fonte: Scientific American