A sequência de The Sims 4 já está em produção pela Maxis e EA, mas enquanto isso, felizmente, têm surgido alternativas para o maior jogo de simulação de vida dos games: Paralives é o novo queridinho do fãs, mesmo longe de ter uma data de lançamento, e agora a Paradox, desenvolvedora de Cities Skylines, apresentou Life by You, seu novo jogo de simulação de vida que chega ainda esse ano em acesso antecipado.

Mas o que um concorrente precisa ter para enfrentar o monstro da EA cara a cara? Será que as novas e tão aguardadas opções para o praticamente monopólio dos Sims na indústria trazem inovações o suficiente para competirem de igual para igual? Ou são apenas versões alternativas do jogo?

Mexendo no Jogo

O anúncio de Life by You me pegou de supresa, e uma surpresa boa. Há um tempo The Sims precisa de um competidor à altura para poder entregar um produto melhor para seus fãs e jogadores que não conseguem mais conviver com as milhares de separadas atualizações, expansões e pacotes de objetos infinitos.

Mas infelizmente com o detalhamento maior do novo simulador de vida da desenvolvedora Paradox, essa ansiedade boa se tornou ruim já que o jogo apresenta praticamente a mesma gameplay de The Sims, focando em melhorar a customização geral do jogo, com mundo aberto e muitas possibilidades de mods. Parece que o jogo está focado no jogador hardcore e modder de The Sims (uma sensação que tive também na apresentação do futuro de The Sims, como vista aqui), mas será que esse é mesmo o único caminho de melhoria do gênero?

Resposta rápida: não.

Tanto Paralives quanto Life by You estão tentando dar aquela mexida no jogo e pagar um pouco do espaço que a EA tem deixado com algumas decepções aos jogadores que até então não possuíam outras opções. Mas estão indo por caminhos que o tornam apenas cópias diferenciadas de The Sims. Na minha concepção, o gênero precisa sim de concorrentes, mas principalmente de concorrentes com melhorias em outros caminhos, para que possamos enfim ter um Life Sim (simulador de vida) ideal.

Viver casualmente

Eu sempre fui um jogador casual de The Sims, nunca passei horas buscando ou fazendo mods. Minha jogatina era entrar, criar meu personagem, e viver a vidinha dele, com trabalho e relações sociais, me divertindo aqui e acolá, comprando móveis novos, consertando e sempre tomando muito banho, indo muito ao banheiro e fazendo muita comida, com pouco tempo para clicar no computador de 199 simoleons e ‘navegar na internet’.

Por isso que quanto Life by You teve mais detalhes apresentados e o foco ficou totalmente na extensa liberdade (com uma baita UI cheia de informação) de criação de cada detalhe, item, mobília e tal, eu fiquei um pouco assustado. Eu quero um jogo de simulação de vida casual. Para mim um bom The Sims não precisa se tornar extremamente e minuciosamente customizável. Ele precisa ser divertido de se jogar. Acredito que trazer elementos de outros simuladores de vida que estão em caminhos paralelos seria uma ideia que poderia agregar e muito a esse Life Sim perfeito. E uma boa porta de entrada é Animal Crossing.

O que aprender com o fenômeno?

Animal Crossing: New Horizons foi o título mais recente da já famosa série da Nintendo, lançada no início da pandemia de 2020 o jogo se tornou um fenômeno. De vendas e de público. Todos estavam falando de Animal Crossing, que é basicamente um simulador de vida em que você gerencia uma ilha paradisíaca e convive com vizinhos antropomórficos muito fofos.

Animal Crossing é basicamente um jogo simulação, mas há certas diferenças que podem ajudar ao avanço do gênero. Diferente de outros ele não é propriamente técnico e foca apenas em partes divertidas da vida em comunhão com outros personagens. Você não precisa comer para sobreviver nos dias, só se você quiser um boost de energia para quebrar itens mais rápido. Você também não precisa ir ao banheiro e o dinheiro você ganha por ali mesmo ao vender itens.

Mas a fórmula também tem suas falhas. O ponto aqui é aprender com as vantagens e melhorá-las para uma ideia de um novo jogo. Precisar ir ao banheiro ou comer a todo momento, pode deixar a jogatina em The Sims um pouco entediante, faltando tempo para as reais diversões do jogo, como interagir e conhecer sua vizinhança. Trabalho também pode atrapalhar essa vida social em The Sims. Claro que não acho que tirar essas mecânicas irá tornar o jogo o melhor de todos, mas elas devem ser repensadas e melhoradas.

O que aprender com o sucesso?

Stardew Valley é um sucesso! O jogo de fazenda de um desenvolvedor solo está desde 2016 como favorito de muitos e, dentre muitos outros fatores, um detalhe que contribuiu muito para o sucesso do jogo foi sua possibilidade de multiplayer. É possível você criar sua fazenda junto com seus amigos e gerenciar sua vida dali para frente como quiser, com eles ali.

Animal Crossing também traz essa mecânica, mas traz seus amigos para conhecer sua ilha e você pode ir visitar a deles, conhecendo as criações um do outro. Jogos de simulação de vida tem muito foco no social, em socializar com os habitantes da sua ilha, da cidade próxima a sua fazenda, mas também com seus amigos reais.

Multiplayer, para tal tipo de jogo, é algo que eleva muito a jogabilidade e tempo de vida do game além de ser muito divertido encontrar virtualmente seus amigos reais, jogar e criar sua vida juntos também nesse mundo de simulação.

O que aprender com a novidade?

Se eu tivesse que dizer só um problema, o maior problema, de The Sims, não seria o sistema ruim de necessidades ou a falta de multiplayer. Seria, sem dúvida, explicado em apenas quatro letras: DLCs. The Sims tem muito (muito!) conteúdo adicional. Mas conteúdo adicional não é para ser algo bom e aumentar a longevidade do jogo? -Você me pergunta. Sim, mas The Sims cobra, e cobra bem, por cada novo pacotinho de novos móveis, novas mecânicas de gameplay, novos estilos e tanto mais.

Hoje, se você quiser jogar The Sims com todas as expansões você não gasta menos do que R$ 2.200,00 mesmo o jogo base sendo, atualmente, gratuito. O sistema de capitalização em cima do jogo feito pela EA se tornou predatório e frustrante. Disney Dreamlight Valley é um bom exemplo que tenta fazer algo diferente (mesmo ainda precisando de melhoras).

O jogo de simulação da Disney coloca você para gerenciar uma ilha que tem como moradores diversos personagens icônicos Disney e Pixar e também será grátis quando lançado oficialmente, já que está em acesso antecipado para jogadores que adquiriram os pacotes de fundador.

Dentro do jogo você tem a loja do Tio Patinhas que, assim como a Nook’s Cranny de Animal Crossing, serve para te vender itens com a moeda do jogo. No entanto em Disney Dreamlight Valley também há uma ideia inicial boa que ainda pode ser melhorada de um ‘passe de temporada’ que garante itens exclusivos ao completar missões do jogo.

Um bom jogo de simulação precisa ter um bom equilíbrio entre a disponibilidade e variedade de itens para mobília, decoração, vestuário e um bom método de oferecimento dos mesmo para manter a novidade no jogo, sem precisar que você compre um pacote grande de R$ 89,00 para pegar uma única cadeira que você achou bonita, por exemplo.

Além de um bom e variado catálogo de itens, novidades devem chegar ao jogo com certa frequência, mas de uma maneira não predatória e que seja satisfatória também ao jogador que comprou apenas o jogo inicial. Fortnite tem um ótimo sistema de deixar o jogo sempre vivo e trazendo novidades e parte disso é seu passe que traz sempre itens exclusivos ao game.

E então, como construir o concorrente perfeito para The Sims?

Em resumo, boas ideias vêm de vários jogos e a gente precisa tentar misturá-las da melhor maneira possível para criar um novo e único simulador de vida que muitas pessoas irão gostar. Podemos ter uma bom leque de customização sem isso ser o total foco do jogo? Claro! Vamos melhorar o sistema de necessidades? Por favor! Jogar com os amigos? É quase que básico! Melhorar os modos de atualizar objetos, roupas, decoração e mecânicas? Isso precisamos muito!

E assim com novas ideias podemos ir melhorando o gênero que já trouxe muita coisa boa e ótimas novidades para ser cada vez melhor e menos frustrante. Será que The Sims 5 vai trazer o que tanto queremos? Ou resta a alternativas para a gente jogar um simulador de vida perfeito? E você, o que você acha que um concorrente perfeito de The Sims deve ter?