Já falamos sobre o racismo estrutural na introdução de gênero a franquia Pokémon. Já falamos sobre uma sutil representação LGBTQ+ na franquia. E também até comentamos sobre a Beauty Nova, uma oponente canonicamente trans que aparece nos jogos da Nintendo e Game Freak. Agora é hora de conversarmos sobre outro assunto também rápido, mas bastante interessante que acontece na terceira geração dos jogos: o caso de Azurill, o Pokémon que podia mudar de gênero ao evoluir.

Em Pokémon Gold & Silver, de 1999, tivemos a introdução de diversas novas mecânicas como gêneros, breeding e os Pokémon baby, introduzindo o fofo Pichu, baby de Pikachu, ao mundo! Mas um certo Pokémon azul – não baby – também tomou os holofotes daquela geração, aquele que seria conhecido por um tempo como o Pikablue – por conta de sua cor e semelhança com o mascote da franquia. Marill é basicamente um clone de Pikachu, azul e do tipo água, que também foi introduzido em Gold & Silver, junto de sua evolução Azumarill.

Até então, apenas de tipo água (mais a frente, seriam dual-type com o tipo Fada, após a introdução da nova tipologia em Pokémon X & Y, de 2013) eles tinham uma proporção de serem machos ou fêmeas de 50%, ou seja, metade das chances de encontros e ovos poderiam dar um Marill macho e metade poderiam ser fêmeas. Mas aí temos a chegada de Azurill em Pokémon Ruby & Sapphire, a versão baby de Marill. E a condição de gênero muda um pouco!

Vídeo do Youtuber igarvey

Azurill é o único Pokémon da franquia que tinha, até então, uma proporção (ou ratio) de fêmea e macho diferente de suas evoluções. Azurill tinha proporção de 75/25, ou seja, um Azurill tinha três vezes mais chances de ser fêmea do que macho. Com essa diferença entre a pré-evolução e a evolução, isso fazia com que uma em cada três Azurill fêmeas poderiam evoluir para um Marill macho. E ele era o único Pokémon a realizar tal feito na franquia.

Isso foi alterado da geração seis em diante, com Ruby & Sapphire, mas não deixou de tornar Azurill e Marill um símbolo para pessoas trans que buscam representatividade. Muitas artes de fãs mostram ambos Pokémon em contidos universos de apoio às vidas trans. E isso é muito legal!